Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras: em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo.
Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, é livre pelo facto de, na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir, custe o que custar, através da vida e de chegar assim a ele próprio, e isso por um caminho que pode sem dúvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto tão complicado que toca nos menores recantos desta vida.
Franz Kafka, in "Meditações"
BANDA SONORA DESTE POST: Porstishead - ROADS
http://www.youtube.com/watch?v=Vg1jyL3cr60
Sunday, March 13, 2011
Sunday, March 6, 2011
Das despedidas...
As despedidas são sempre difíceis.
Eu não gosto de dizer adeus, prefiro dizer até qualquer dia…
Porque mesmo quando sabemos que não vamos ver/ter mais essa(s) pessoa(s), o sentimento que fica é mais reconfortante…
Não que eu seja avessa às despedidas, acho que algumas são mesmo necessárias e inevitáveis. São, muitas vezes,o que nos empurra mais para a frente!
Hoje, ao rebuscar os meus arquivos pessoais (acho que já tinha dito aqui o quanto eu não gosto dos meus Domingos…), encontrei as quadras que os meus ex-colegas me fizerem quando deixei o meu primeiro emprego, em 2005, ao fim de 6 anos.
Não, as quadras não são brilhantes, mas o valor que têm (para mim, naturalmente!) está muito para além da métrica perfeita ou do valor literário.
Abaixo alguns excertos.
(…)
É com tranças no olhar
E muita cor no sorriso
Que a Emília nos vai deixar
Ao encontro do seu paraíso
O seu toque de bom senso
E equilíbrio quanto baste
Reúne em nós um consenso
Que não há partida que desgaste
Deixa-nos sorrisos contidos
E um olhar paciente
Mas também dores nos ouvidos
De uma gargalhada estridente
(…)
Para a divulgação do Faísca
Trabalhou com tal afinco
Que hoje não há quem resista
A chamar-lhe Tenaz de 25
Foram muitas as viagens
E as horas de avião…
Foi preciso ter coragem
P’ra ouvir tanta reclamação
(…)
Eu não gosto de dizer adeus, prefiro dizer até qualquer dia…
Porque mesmo quando sabemos que não vamos ver/ter mais essa(s) pessoa(s), o sentimento que fica é mais reconfortante…
Não que eu seja avessa às despedidas, acho que algumas são mesmo necessárias e inevitáveis. São, muitas vezes,o que nos empurra mais para a frente!
Hoje, ao rebuscar os meus arquivos pessoais (acho que já tinha dito aqui o quanto eu não gosto dos meus Domingos…), encontrei as quadras que os meus ex-colegas me fizerem quando deixei o meu primeiro emprego, em 2005, ao fim de 6 anos.
Não, as quadras não são brilhantes, mas o valor que têm (para mim, naturalmente!) está muito para além da métrica perfeita ou do valor literário.
Abaixo alguns excertos.
(…)
É com tranças no olhar
E muita cor no sorriso
Que a Emília nos vai deixar
Ao encontro do seu paraíso
O seu toque de bom senso
E equilíbrio quanto baste
Reúne em nós um consenso
Que não há partida que desgaste
Deixa-nos sorrisos contidos
E um olhar paciente
Mas também dores nos ouvidos
De uma gargalhada estridente
(…)
Para a divulgação do Faísca
Trabalhou com tal afinco
Que hoje não há quem resista
A chamar-lhe Tenaz de 25
Foram muitas as viagens
E as horas de avião…
Foi preciso ter coragem
P’ra ouvir tanta reclamação
(…)
No coração, talvez...
No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis
Les Misérables
Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta. Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?»
Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos.
Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'
Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos.
Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'
Thursday, February 24, 2011
Wednesday, February 23, 2011
O sonho comanda a vida
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança
naquilo que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama, 1953.
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança
naquilo que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama, 1953.
Friday, February 18, 2011
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